domingo, 8 de fevereiro de 2009
Hoje é domingo e eu dormi dez horas. Tenho feito isso com frequência. Me debato nas duas últimas horas de sono, numa negação veemente ao novo dia. Aí sem me levantar eu abro a persiana e vejo que o céu está azul, e me dói. Me dói porque eu não sei o que fazer com isso. Vou até o computador. Abro links. Nada da caixa de entrada. Continuo com A insustentável leveza do ser, uma vez que, como em um círculo vicioso, a minha vida se dissolve ao longo dos parágrafos e os parágrafos dissolvem a minha leveza insustentável. É mais completo dizer que eu estou absolutamente arrebatada pelo livro, lendo alucinadamente e tendo contatos extra-terrenos a cada frase. E agora está quase acabando. E eu não sei o que fazer. Porque quando acabar, eu vou ser atirada no mais imenso vazio e na mais pura solidão. Me perguntam se estou mais feliz de uns tempos pra cá. Digo: estou livre. A solidão é um preço que eu pago, como ocorre em qualquer tipo de transação. No final é sempre a mesma coisa, uma fuga incessante que vai me levar ao mais completo nada. Quando se foge de A para B, não se recupera A ao trair B. Não. O que eu estou tentando escrever e não estou de fato escrevendo é um texto sobre a minha leitura. Deixemos para quando acabá-la, mas, por enquanto, eu sinto medo. É comum ler bons livros e ter consciência de que o estamos fazendo, mas não é todo dia que uma relação mística se estabelece entre a tua vida e um livro. É raro. É raro. Primeiro, aconteceu com As Ondas, da Virginia Woolf, aos dezesseis. Depois, aos dezoito, com Hamlet e, aos vinte, com O Sol Também se Levanta, do Ernest Hemingway. E, agora, com Milan Kundera. Tu sabes que aquilo está mudando a tua vida. É a consciência plena e o medo do fato de isso se apresentar tão claramente. Ler assim é a única chance de reviver. De encontrar o eterno retorno. Eu te desejo arrepios. E que seja lento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário