É importante que você saiba que a finalidade deste blog é, a partir de agora, funcionar como um relicário de pequenas odiosidades, um templo para a minha mórbida obsessão por coisas irritantes. É um trabalho de vícios. De refocilação. É sujo, árduo, quase auto-destrutivo. Um trabalho de ofensa contra a divindade tibetana Ashravaya Shivrevaroya, representante da violência com que um empreendimento mental deve ser feito para que funcione contra os maus pensamentos. Ou, em uma aplicação de caso, contra odiosidades irrelevantes. Irrelevantes porque não dóem, a menos que você diga: ai. Irrelevantes como zumbidos, como injeções – irrelevantes como mosquitos, é isso: eu vou falar o tempo inteiro sobre mosquitos.
Você já deve ter percebido que meu papel é de sacrifício. Que sou o carneiro imolado para a agitação da escrotidão humana. Ao meu redor, televisõezinhas da carris e os extintos acentos das palavras “para” e “pelo” dançam como zumbis. Pequenas coisas que simbolizam a morte, e que no entanto estão vivas. Eu, estóica, vou pinçar todas essas coisas e trazê-las até você, que do alto de sua cadeira com braços assistirá ao meu ser se debatendo com a horripilância da vida. Até mais.
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