One sunny day the world was waiting for a lover... e assim começava mais um dia da promissora carreira de T.J. Loverson. Com apenas poucos movimentos já sentia-se pronto para entrar em campo, pulando no mesmo lugar e esticando violentamente o pescoço em todas as direções, porque espreguiçar-se, afinal, era coisa de preguiçoso. Saía de casa em sua BMW grafite quando algumas garotas acenaram-lhe alegres. Em direção à empresa da família, o rapaz de vinte e três anos ouvia BEATLES.
A quatro semáforos de seu apartamento, T.J. viu uma mancha de sangue escorrendo pelo vidro da frente: 'Que é isso?', pensou. Seria o sinal vermelho derretendo-se no calor infernal que fazia fora de seu carro? Pois estendeu a mão para cima, enfiando-a pelo teto solar e descobriu: "Coreheart, Bota Alegria na sua Mesa!". Por que alguém lhe atiraria uma lata de tomates processados? Tinha ele sido conivente com a poluição da atmosfera? Causara ele algum dano a camada de ozônio? Usara animais indefesos para a confecção de luvas ou cosméticos? Não. 'Sou inocente!', bradou. O que o garoto não sabia, porém, era que os filhos pagam pelos pecados dos pais e, algumas vezes, pelos pecados dos pais dos pais.
Chegando ao office, T.J. Loverson carregava a pulga atrás da orelha. Aprendera desde cedo a amar os tomates, e estava decidido a não poupar esforços para a ascensão dos prestigiados molhos Loverson Co. Durante o almoço, comentou com seu avô sobre o episódio da manhã: 'Mas meu filho, Coreheart?', perguntou o avô, em uma camisa amarelo-creme que lhe dava ares de ovo frito apimentado – é que tinha manchas de sol, o homem. 'Sim, grandpa. Coreheart! Quem serão estes vis concorrentes?' – e o velho, num suspiro de confessionário, disse-lhe que este era o antigo nome do produto que agora administravam. Os motivos da troca de nome eram até então obscuros; mas eis que, num impasse do destino, a trágica história de uma mulher começaria a ser contada.
terça-feira, 1 de maio de 2007
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6 comentários:
Amanda,
mesmo sabendo, por cima, como continua a história, eu tô louco para continuar te lendo.
Muito bom!
A tua narrativa tem estilo.
Vai fundo
haha
ta bom, ta bom.
*suspeito*
=*
vc escreve com perfeição do ponto de vista gramatical (concordância, coesão, acentuação, pontuação, etc.); só acho que falta um pouco (do ponto de vista literário) de vc mesma em sua narrativa. não consigo sentir a autora quando leio seus textos (talvez seja deficiência minha, enfim). mas posso exemplificar melhor utilizando o texto sobre a 1ª vez em que sentiu-se triste. está vazio de sentimento... como se toda a tristeza tivesse ficado muito pra trás, esquecida, e vc não a sentisse mais. pensei um tanto sobre isto e me ocorreu que talvez vc tenha escrito sobre um assunto que, pra si, está encerrado, e o objetivo foi apenas relatá-lo, sem jogar-se (com a personalidade de agora) dentro dele. sem apontamentos sentimentais e lálálá. acho difícil fazer estes comentários, primeiro porque nem sei como é sua voz, rs... segundo porque, de minha parte, sempre há muito de mim no que escrevo. muito "sangue". o que é uma questão de estilo, devendo ser respeitada.
só que, acima de tudo, vc tem criatividade e admito ter gostado (pra garaio) da idéia deste último escrito. as cenas, os nomes dos personagens, a composição toda me agrada. só falta vc nele! (na minha humilde opinião de desconhecida).
Ah...
finalmente. finalmente. obrigada! tua crítica faz sentido, até porque o ambiente virtual me inibe bastante... então eu acabo me reservando pra manter uma certa proteção/neutralidade/indiferença.
vou ver o que faço a respeito. haha beijo
Concordo com a Audrien, mas não entendo esse hippismo: “só acho que falta um pouco (do ponto de vista literário) de vc mesma em sua narrativa.”. bom, ela que se explique. Acho a história inusitada e estranha. Parece ter uma luz pop art. Pois é, pode me socar. Mas é ao que ela me remete, não só pela lata de tomates, mas pelas descrições (cores primarias e não cores) do carro, do avô, do semáforo, como também pela cadência (não sei como explicar isso... desculpe) e pelas colagens de palavras em inglês. Acho que é isso.
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