segunda-feira, 7 de maio de 2007

BUSY

That's how I've been.

Sou capaz de desmanchar com o simples abrir de portas de um porteiro. Ontem peguei um ônibus errado e segui rumo ao infinito. O ar-condicionado estava congelante dentro dele, mas pelo menos eu não estava nem cá nem lá. Patinei no gelo infalso por um tempo até aterrisar. Eu estava completamente vidrada. Não fosse uma ligação de celular, acho que teria permanecido ali, no meio do caminho. No meio da tentativa. No meio do esforço. Teria vivido para sempre à beira de todas as obrigações, das quais venho tentando desesperadamente me ver livre. Queria ter me esquecido de mim. Olhei com olhos de girafa sedada para o mendigo que esmolava na calçada. Estive a menos de um metro do completo abandono, pronta a vencer os joelhos que insistiam em me manter paralisada. O que sou é órfã, não adulta. O meu corpo inteiro doía de cansaço. Foi então que o maldito celular tocou, mentira!, telefonei em choque para o meu amor dizendo que eu não sabia onde estava. Ele disse que eu devia pegar um ônibus e parar de me pôr em risco. Abanei para o mendigo... e saí.

3 comentários:

. disse...

ah, tbm tenho dessas paralisias guria; fico ali, exatamente "à beira de todas as obrigações"

e estava pensando nisso hoje: em como, definitivamente, estou longe de ser adulta. e tento decifrar se isso eh bom ou ruim......

bjn!

1534491 disse...

terríveis obrigações e odiosos compromissos os quais constituem nossa famigerada rotina. às vezes eu sinto vontade de atropelar um ônibus.

(acho que senti você =*)

curare disse...

uma situação-limite boba (pegar o ônibus errado) que é não obstante levada ao extremo (num palco da distância).

concordo com a Audrien, mais uma vez: "vontade de atropelar um ônibus."