sábado, 21 de abril de 2007

Divagaçoes Madrugadescas


O mundo precisa de homens e mulheres com colhões, independentemente de estarem equivocados ou não. Por isso, gostei muito do Crítica Pura, do Henrique Abílio. Em plena efervescência vanguardista, ele baixa o cacete no Primitivismo, concepção que permeia todos os 'ismos' da época, falando da sua pura impossibilidade de existência como escola, ideologia ou movimento estético. De fato, negar a própria inteligência já é fatalmente uma contradição, e pensar na evolução artística pregando a desculturação, também. Pois para onde caminhavam os ditos primitivos? Não sabiam. O que eu sei, é que foi-se parar na Pop Arte, que combina com a idéia bolchevique de capitalismo=vanguarda=decadência. Nisso, o grande problema foi a instauração da Tradição do Novo, infelizmente inevitável (ou não?). Mas, voltando ao Henriquinho, a escala racional dos primitivistas só passava a dos animais em um aspecto: a capacidade de humor. Para ele, o humor era a prova irrefutável da famosa decadência, o que outros chamariam de 'fim da arte' etc. apontando para o materialismo sensorial daqueles malabaristas da sintaxe (que o faziam para simplificar?) que não mais alcançavam a transcendência do espírito através da TRUE ART. Livro romãntico, em parte. Crítica a la Nayr Tesser.

6 comentários:

1534491 disse...

(na opinião de meus colhões, não que seja nova, muito menos renovada) toda forma de arte é canalização de expressão: corporal, sensível, filosófica, partidária, seja lá qual for. e, o que essa gente toda 'das artes' sempre quis - ok, não posso generalizar, tem sempre um maluco que faz arte tão e somente por ser muito triste, ou feio, sozinho ou bêbado - foi expressar suas par-ti-cu-la-ri-da-des perante outrem. pura e simplesmente mostrar A Diferença entre si e os passados, entre si e os demais. acredito que, até certo momento, este jogo tenha funcionado bem, ainda que A Diferença, fosse uma reles inversão do sentido das retas* em um quadro, ou a substituição do branco pelo negro, nas sombras, o abandono à forma, em escritos, ou à utilização dos dicionários de rimas. isso enquanto arte-forma de expressão.

só que...
chegando ao ponto inverso 'toda canalização de expressão pode/deve ser feita em forma de arte', estamos em meio a um deus nos acuda. de uns tempos pra cá (sou péssima com datas, daí o disfarce), soltar um pum, piscar os olhos, acidentar-se de carro, matar algumas formigas chatas, enfim, tudo assumiu este caráter de 'arte em potencial'. tudo pode ser arte. tudo pode ser (des)construído (aaarrrggghhh!!!), remodelado, exposto e criticado como arte.

uma montanha de sucata velha e suja, no máximo.

considero esta situação de uma mediocredade tão imensa, que chego a ter horror da idéia de estar fazendo ciber-arte escrevendo um blogue!

* lembrado e extraído de uma conversa que tive com meu amor.

(acho que acabei não comentando seu texto, apenas expondo algum colhão. digamos que tenha sido a minha 'divagação das duas da tarde').

1534491 disse...

ninguém vai comentar meu comentário? haha

a disse...

tem sempre um maluco que faz arte tão e somente por ser muito triste, ou feio, sozinho ou bêbado (..)

hahaha

achei teu comentário muito bom, principalmente na parte do ponto inverso da canalização. quanto ao lance da cyberliteratura, já tive minhas resistências... mas com a minha pesquisa descobri que estamos vivendo uma das maiores revoluções mediáticas (leia-se de comunicação) desde a imprensa de Gutemberg, o que é no mínimo excitante. a nova configuração do autor, a reproblematização do direito autoral, a não-linearidade da narrativa e instantaneidade de informações proporcionadas pelo hiperlink são questões verdadeiramente interessantes.

no mais, é isso. see you later alig...

1534491 disse...

ah, mas certamente a Internet é o 'objeto' (?) mais revolucionário depois da invenção da roda, haha

é a decadência de todos os padrões, a crise dos modelos, a queda dos fundamentos, a PÓS-MODERNIDADE!!!

SOS o.O

é sério

a disse...

bota sério niosso.... hehehehe

curare disse...

O problema da "Arte" (espero também poder dar meus petelecos nela...) é estar, atualmente, dissociada da Filosofia. E, por isso, questões como: verdade, belo, realidade são desconhecidas, em detrimento de pirotecnias do acaso.

Isto me chamou atenção: “O que eu sei, é que foi-se parar na Pop Arte, sob o meu ponto de vista a encarnação da corrupção da verdade e do belo.” O que é a corrupção da verdade e do belo?

Continuando. Acho (é, acho...) que não se pode misturar engajamento, ruptura e, principalmente, realidade (a que realidade vc se refere? ainda tem mais essa...). Somos de uma geração que desconhece todos esses postulados e, com efeito, os recusamos. Mais fácil.

Acredito porém que a “recusa” e “o ter colhões” – se entendi bem - são uma forma de engajamento e ruptura. Raciocínio lógico (outra disciplina filosófica esquecida): se quiser a volta de um “neoparnasianismo”, por ex, minha nossa!, coloca ruptura nisso (quantos dadaístas terá que matar). Sobre o engajamento o dicionário diz:

4. Filos. Situação de quem sabe que é solidário com as circunstâncias sociais, históricas e nacionais em que vive, e procura, pois, ter consciência das conseqüências morais e sociais de seus princípios e atitudes.
5. Filos. Situação de filósofo que admite ser impossível começar um sistema sem pressuposição, tendendo, pois, a levar em conta a situação concreta que o cerca.

Já a realidade...

De resto, bom saber que há pessoas que pensam sobre essas questões. Eu, no entanto, larguei dessa vodka e fui tocar balalaica.rs