segunda-feira, 23 de julho de 2007

Acho que vou perder meus dentes de tanta raiva.
por que o maldito word resolveu comer as letras como faz o DOS
ao invés de considerar os novos caracteres colocados no meio das frases?
estou completamente ferrada. esse trabalho não vai ficar pronto nunca, e todo o meu esforço em realizar alguma coisa do começo ao fim e de forma satisfatória mais uma vez está dando errado, como quando um bicho burro persegue enlouquecidamente o próprio rabo, porque é sempre assim e eu já estou farta de tantas tentativas e já estou farta da minha incompetência e já estou farta dos meus planos pro futuro e já estou farta de tudo, já estou farta de atrapalhar o romance de uma mulher solitária com seu poodle pneumônico e virgem que tem nome de pau, cansei de viver sendo ferrada mentalmente pelos meus pais e pela pressão dessa infame vidinha de obrigações, cansei de viver ferrada de grana, de vomitar meu coração uma vez por semana sem fé nenhuma, cansei de tudo, de absolutamente tudo, cansei inclusive desse blog ridículo, e cansei de mim mesma e odeio absolutamente todas as pessoas do mundo e não suporto o fato de me ferrar, me ferrar, me ferrar, viver ferrada, e de mesmo não sabendo onde isso vai dar ter a certeza de que eu não serei uma daquelas velhas que morrem lânguidas em uma camisola branca no meio de uma madrugada clara.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Alou, criaturagem

(Most Exclusive Residence for Sale - Kinks)


eSTOU em um momento muuuuuito legal. hoje fará, aliás, já está a noite acontecer a noite mais fria do ano, o que me deixa de alguma forma estranha com a noite supostamente especial. hahaha




hahahahaha.


ah, hah.



bergamotas congeladas e braços repentinamente borgos e apertados. falta ar e sobra azul nas resinas da estratosfera. es-tra-tos-fe-ra.

mas se fecho bem meus olhos, percorro a mão pela lã quente e já nem sinto minhas narinas, nem meu nariz, nem meu rosto nem meu corpo - ah, aí então percebo que meu nariz necrosou e que eu virei zumbi.


incrível como meu humor muda a cada cinco minutos, ao final de cada música.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

V

A cabeça da nossa estrela cintilava no carrosel dos horrores. A imprensa e o público rasgavam sua carne como animais famintos em busca de respostas. Por que diabos esta mulher sorria com músculos cada vez mais doentios? "Psicótica!" "Doente!" "Animal!" - Seu coraçãozinho de gazela padecia aos poucos na umidade de sua caverna vazia - vazia e sem ecos, nem rabiscos - vazia e sem história. WHO ARE YOU, ELZA?
A comunidade médica interessou-se paulatinamente pelo caso. Eletrodos e biópsias, alimentos a base de capim, tudo caminhava para a suposta revelação do enigmático âmago de Elza. Foi quando, graças a Doctor Silverstein, uma enzima de formato hexagonal encontrada nos molhos Coreheart tomou o foco das discussões.
Mr. Loverson era um homem de ambições desmedidas. Sedento por sucesso, fez uma encomenda químico-neurológica a um evil cientista chamado Wah-Wah. Wah-Wah injetou a substância na cobaia de Loverson, engessando seu sorriso e interferindo em seu sistema circulatório - agora, livre do aspecto pedinte, a moça estava pronta para encabeçar a revolução conceitual da alegria e da despreocupação, simbolizada pelo rubro do tomate Coreheart. Não havia risco algum; a quantidade da substância a ser diluída na produção industrial era sensata. Porém, a pressão da mídia e o vale-molho-de-tomate transformavam aos poucos nossa Lindonéia em uma twiggy lisérgica do mesmo calibre do Coringa!
É assim que ela passa de guia espiritual das donas-de-casa a pioneira do GLAM ROCK, apavorando com o make-up perpétuo imposto pela família LOVERSON e seu mirabolante plano de dominação do mundo. Depois de tudo, Elza cai com o mesmo prosaismo de qualquer outra estrela patife - mas engorda e deprime-se de forma peculiar... para agora, trinta anos depois, cumprir sua vingança no Embate Final
"Partimos da diferença entre modernidade e Antigüidade em Schiller. Repetir a mímesis antiga no contexto moderno levaria a resultados rejeitáveis, pois a modernidade “feia” ou prosaica não oferece condições representativas para uma bela arte. Ela obriga o artista a uma reflexão - a poesia sentimentalista - em direção a um ideal possível que contrasta com o real e se apresenta no medium estético como antecipação de uma beleza futura. Pode-se entender essa antecipação como processo infinito na procura do ideal inalcançável, que repete a natureza bela dos antigos apenas potencialmente e aproximativamente. O artista ingênuo, sem necessidade de uma auto-reflexão, era natureza, enquanto o sentimentalista, marcado pela sensação de déficit e por isso atuando no campo do possível, procura a natureza perdida."


Schiller acreditou que a Revolução Francesa purificaria os valores políticos e sociais do estado, possibilitando o ideal da educação através da estética, que por sua vez marcaria o retorno à arte elevada da antigüidade clássica... e ao imaginar tamanha esperança, chorei. E acho que ele chorou também.